sexta-feira, 4 de julho de 2008

Momento Nostalgia.

E tudo mudou...

O rouge virou blush, o pó-de-arroz virou pó-compacto, o brilho virou gloss, o rímel virou máscara incolor;
A Lycra virou stretch; Anabela virou plataforma, o corpete virou porta-seios, que virou sutiã, que virou silicone;
A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento;
Confeti virou MM;
A crise de nervos virou estresse;
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter, a brilhantina virou mousse;
Os halteres viraram bomba, a ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental e o fio dental virou anti-séptico bucal
Ninguém mais vê...
O a-la-carte virou self-service;
A tristeza virou depressão;
O espaguete virou Miojo pronto;
A paquera virou pegação;
A gafieira virou dança de salão;
O que era praça virou shopping;
A areia virou ringue;
A caneta virou teclado;
O long play virou CD, a fita de vídeo é DVD;
É um filho onde éramos seis;
O álbum de fotos agora é mostrado por email;
O namoro agora é virtual, a cantada virou torpedo e do "não" não se tem medo;
O break virou street, o samba virou pagode, o carnaval de rua virou Sapucaí, o folclore brasileiro virou halloween;
O piano agora é teclado, também, o forró de sanfona ficou eletrônico;
Fortificante não é mais Biotônico;
Bicicleta virou Bike;
Polícia e ladrão virou Counter Strike;
Folhetins são novelas de TV;
Fauna e flora a desaparecer;
Lobato virou Paulo Coelho, Caetano virou um chato, Chico sumiu da FM e TV, Baby se converteu e o RPM desapareceu;
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix, Raul e Renato, Cássia e Cazuza, Lennon e Elvis, todos anjos, agora só tocam lira...
A AIDS virou gripe;
A bala antes encontrada agora é perdida, a violência está coisa maldita!
A maconha é calmante;
O professor é agora o facilitador e as lições já não importam mais;
A guerra superou a paz e a sociedade ficou incapaz... .... de tudo.
Inclusive de notar essas diferenças.

(Luiz Fernando Veríssimo)

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